
Filhas da mãe África
No terreiro dos meus sonhos
Vi mil nuvens de poeira
Com roda e batida de palma
A vida jogando capoeira
Tambor que não silencia
Cantiga que me vicia
Gingando a noite inteira
Em rajada de lua cheia
Quem dá o tom é o berimbau
O corpo em forma de viola
Prepara o golpe final
Num sorriso de alegre negra
Vem rodeando mas chega
Levando-me do Brasil ao Senegal
Tempestade em mar de lágrimas
Sacode navios negreiros
Pedaço de um continente
Fragelo de sonhos inteiros
No roubo do tesouro humano
Ganância do branco insano
Disfarçado em marinheiro
Chegando em terra nova
Envelhece as esperanças
A gota de alegria
Reside em nossas crianças
Sai da roça vai à senzala
O corpo doído cala
E o cansaço sufoca as vinganças
O tempo senhor de tudo
Não desfaz as cicatrizes
Mas faz mistura nas esperanças
Costume de mil matrizes
Com pele preta e passo forte
Buscando até a morte
Motivos para serem felizes
TALITA DO MONTE
(Poema escrito em 2006, no Dia da Consciência Negra)
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