13 novembro 2009
Foto Internética
ANINHA E SUAS PEDRAS
Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
Cora Coralina (Outubro, 1981)
31 outubro 2009
26 outubro 2009
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Volta Mulher
Mulher, resgata os olhos outrora suplicantes por um riso teu
Agora rendidos da superficialidade do ser mulher
Reage, calça teu melhor sapato e passa teu batom mais sangue
Permite teus cabelos esvoaçarem nesses novos ventos
Reocupa a boca com palavras mais tuas
Caminha dessa vez com passos fêmeos, únicos, inconfundíveis
Persegue tua presa suplicante do amor que só tu sabes dar.
Agora rendidos da superficialidade do ser mulher
Reage, calça teu melhor sapato e passa teu batom mais sangue
Permite teus cabelos esvoaçarem nesses novos ventos
Reocupa a boca com palavras mais tuas
Caminha dessa vez com passos fêmeos, únicos, inconfundíveis
Persegue tua presa suplicante do amor que só tu sabes dar.
Talita do Monte.
09 março 2009
OS VERSOS QUE TE FIZ
Deixe dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Tem dolência de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer
Mas, meu Amor, eu não te digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz.
Florbela Espanca
12 janeiro 2009
Foto Internética
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Na "mulher interessante", a beleza é secundária,
irrelevante e, mesmo, indesejável.
A beleza interessa nos primeiros quinze dias;
e morre, em seguida, num insuportável tédio visual.
Era preciso que alguém fosse, de mulher em mulher, anunciando:
irrelevante e, mesmo, indesejável.
A beleza interessa nos primeiros quinze dias;
e morre, em seguida, num insuportável tédio visual.
Era preciso que alguém fosse, de mulher em mulher, anunciando:
- "Ser bonita não interessa. Seja interessante!"
Nelson Rodrigues
Nelson Rodrigues
18 agosto 2008
13 agosto 2008
Foto: Albert Piauhy
Da única (e essencial) superioridade do urubu sobre o galo
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(com João Roberto Kelly)
O galo canta de euforia
O urubu apenas chem-chemia.
O urubu é tredo,
É da magia
O galo é aberto,
É da porfia
O galo come milho.
O urubu, esterco.
O urubu é preto.
O galo é colorido
Álacre, alegre, zombeteiro
Extrovertido e sensual
Sultão de mil galinhas
Decorativo, vaidoso,
Pensa que o sol desponta
Para ouvi-lo.
Mas na hora da fome
O urubu, irmão,
Ninguém o come.
03 agosto 2008
ILUSTRAÇÃO - ILUSTRE
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Rosa Maria, o que tu fazes aí tão só?
Rosa mira o sol mãezinha
Rosa mira o sol sozinha.
Talita do Monte
Ilustração:http://www.paulomourateresina.blogspot.com/
26 julho 2008
Foto internética
O único lugar onde ainda se pode ouvir o velho e bom vinil nessa província-metrópole é o Club do Vinil, que funciona no Club dos Diários toda segunda e sexta-feira. Vezes ou outra, aparecem umas figurinhas carimbadas da cena cultural piauiense, alguns amigos a rever, a cerveja sempre gelada pra aliviar o calor e o resto é mandar brasa, escolher os discos de sua predileção e trocar muitas idéias.
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O único lugar onde ainda se pode ouvir o velho e bom vinil nessa província-metrópole é o Club do Vinil, que funciona no Club dos Diários toda segunda e sexta-feira. Vezes ou outra, aparecem umas figurinhas carimbadas da cena cultural piauiense, alguns amigos a rever, a cerveja sempre gelada pra aliviar o calor e o resto é mandar brasa, escolher os discos de sua predileção e trocar muitas idéias.
Talita do Monte
01 julho 2008
18 junho 2008
MUSICAL ALTERNATIVA
Talita do Monte
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É muito Tom, é muito Zé, é muito som, barulho, crítica, militância e irreverência pra um homem só. Ele é pedreiro, constrói músicas. Ele é metalúrgico, solda versos. Ele é o inverso e o reverso. É também gari, limpa sujeira com seus protestos cantados. Eis aqui um operário da arte.
Talita do Monte
10 junho 2008
Foto Agência Fotogarrafa
Os namorados II
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Essa elegia para os namorados,
que andam em silêncio pela praça morta
de passo leve, incerto como o sonho
a que se entregam solitariamente
é triste e breve como os namorados
e o seu amor da adolescência.
Morta
toda a ternura ficará e o sonho
também surgindo solitariamente
que este silêncio vence os namorados,
como um aviso fúnebre e fatal,
aparecendo em meio aos seus carinhos,
lembrando amor e sonho abandonados
e o riso frágil, rápido, irreal:
"tanto mais juntos quanto mais sozinhos."
H. Dobal
07 junho 2008
06 junho 2008
Foto internética
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Saudade de embarcar na minha nave
Lá, sim, eu era rainha, única majestade
E tinha poderes mágicos
De desfazer feitos trágicos
Dar vida aos sonhos, fazer adulto voar
Fazer criança gigante
Transformar fome em fartura
Fazer-me bela e sábia, pura
Só eu pilotava a máquina
Da imaginação vinham os comandos
Os dedos obedeciam
Engraçado o som da minha nave
TAC, TAC, TAC, TAC, TAC
Ela nunca decolou.
Lá, sim, eu era rainha, única majestade
E tinha poderes mágicos
De desfazer feitos trágicos
Dar vida aos sonhos, fazer adulto voar
Fazer criança gigante
Transformar fome em fartura
Fazer-me bela e sábia, pura
Só eu pilotava a máquina
Da imaginação vinham os comandos
Os dedos obedeciam
Engraçado o som da minha nave
TAC, TAC, TAC, TAC, TAC
Ela nunca decolou.
Talita do Monte
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